SÃO PAULO - O mês de junho realmente não tem sido favorável à renda variável brasileira. O Ibovespa registrou novo movimento negativo nesta última semana que se passou, com o humor dos mercados estremecido por conta da gama de indicadores de peso, tanto por aqui como lá fora.
Tamanha desvalorização vem suscitando entre muitos investidores a tentação de apostar em uma suposta subvalorização dos papéis. Mas será o Ibovespa capaz de resgatar sua trajetória de alta mais expressiva? Um primeiro passo para desvendar tal pergunta é avaliar a agenda de referências econômicas previstas para as próximas sessões.
Agenda amena
Sob tal aspecto, as notícias são favoráveis. Sem decisões ou atas do Federal Reserve ou Copom, tradicionalmente fontes de grande apreensão nos mercados, a pauta de indicadores na próxima semana vem amena, contendo como destaque os números do índice de preços ao produtor norte-americano de maio.
Embora o indicador deva apontar aceleração da inflação - ao menos, são estas as projeções majoritárias dos analistas - muitos acreditam que a deterioração no cenário inflacionário nos EUA já esteja precificada pelo mercado. Ademais, dados de atividade econômica, como o Industrial Production, podem trazer uma evolução na passagem mensal, mitigando o nervosismo nas praças.
Maiores quedas ou retorno das altas?
Desta forma, o Ibovespa dispõe de um caminho relativamente livre do ponto de vista da agenda econômica. Mas na visão de Dr. Fox, consultor independente do mercado, o que falta mesmo ao índice brasileiro é força compradora. “O Ibovespa vem lutando para recuperar sua média móvel de 60 dias, mas sem sucesso, o que indica falta de tendência definida e maiores quedas por vir”, prevê.
Nesse sentido, para Dr. Fox, a superação da atual resistência de 68 mil pontos se faz essencial para que o índice engate novas altas. “Caso contrário, iremos em direção aos 63 mil pontos”. Entretanto, Dr. Fox reconhece que tal recuo ainda é saudável, de natureza corretiva, frente à expressiva valorização conquistada recentemente. “Querem que a bolsa suba sem ajuste?”, polemiza o consultor.
Por sua vez, Alexandre Wolwacz, da Leandro.Stormer, compartilha de perspectivas mais amenas. “O segundo semestre no Brasil geralmente é mais forte que o primeiro. Ao que tudo indica, o recuo deve cessar na semana que vem, havendo estabilização dos preços e reinício da tendência de alta para os próximos meses”, embora não antes de testar o suporte localizado nos 65.500 pontos.
As blue chips no foco
E quanto ao desempenho das gigantes brasileiras, Petrobras e Vale? Com exceção para esta sexta-feira, quando os papéis da petrolífera mostraram forte alta em meio à notícia de descoberta de novo poço na Bacia de Santos, as blue chips demonstraram nas últimas sessões um histórico de forte derrocada, impactando a performance do Ibovespa dia após dia.
Recuperação à vista? Para Wolwacz, a resposta é positiva. O papel que mais chama a atenção do analista é o preferencial classe A da Vale (VALE5), que mostrou forte recuo até o suporte em torno da casa dos R$ 46,00 e que, todavia, deve fechar o ano a R$ 64,50. “A meu ver, o ativo está em um ponto muito interessante”, recomenda Alexandre.
No mesmo sentido, o otimismo se estende às ações preferenciais da estatal petrolífera (PETR4), que na visão de Wolwacz, seguem dispondo de tendência de alta, a despeito da correção negativa que vem apresentando nas últimas semanas. “O papel também é uma interessante alternativa para esta semana que se aproxima”, nas palavras do analista.
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